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A força da Líder solitária

No início era uma família de leões constituída pela Leoa-mãe, pelo Leão-pai e pelos três filhos, dois leõezinhos e uma leoazinha que viviam em plena harmonia no seu território de domínio. Havia uma clareira por onde passava o riacho que servia de bebedouro para as várias espécies de animais. Nessa clareira os dominadores faziam campana para abater suas prezas.

Não obstante, aparece um bando invasor formado por várias leoas e dois leões, respeitáveis pelas suas jubas imponentes, que faziam a proteção do bando. As leoas tinham sua líder. Eles chegaram no território para expulsar os donos - na selva o espaço para manter a sobrevivência é feito por domínio de área, aqueles que detém maior poder tornam-se os novos donos de antigos domínios.

A chegada do bando invasor provocou uma luta sangrenta, porém inevitável. A família que dominava a área era menor e não oferecia tanta resistência para o bando invasor, este bem mais numeroso. Mas a defesa do território era uma questão de sobrevivência daquela família de leões.

Enquanto os filhos estavam escondidos em local seguro, seus pais, a Leoa-mãe e o Leão-pai, lutavam bravamente contra os invasores. Depois de horas de luta, o  bando invasor saiu vencedor, como era de se esperar, deixando como saldo o Leão-pai gravemente ferido, a Leoa-mãe atordoada por ter perdido sua área de domínio, e a líder do bando invasor com o olho direito vazado no combate. Ficou definitivamente cega.

Quando o invasor ganha a luta para ter o domínio territorial, não resta alternativa para o vencido senão juntar os trapos e "deitar o cabelo". Foi exatamente isso que a Leoa-mãe fez, pegou seus três filhos, deixando o Leão-pai para trás, pois ali jaz seu destino.

Na fuga intempestiva, "Majhtawn" - esse é o codinome da Leoa-mãe - com seus três filhos foi perseguida impiedosamente. Enfrentou uma tempestade, além de um incêndio na floresta causado pelos raios que riscavam o céu escuro. A floresta densa tinha uma vegetação rasteira tipo capinzal que criava as condições propícias para a propagação do fogo.

"Majhtawn" corria desesperadamente para se livrar da fúria de seus algozes, ao mesmo tempo em que tinha de livrar seus filhos das chamas avassaladoras do fogo; de vez em quando, o leãozinho mais fraco ficava para trás, o que tornava a fuga menos rápido, pois "Majhtawn" precisava retornar para apanhar o filhote que não conseguia acompanhar. A essa altura o Leão-pai encontrava-se agonizando, dando os últimos suspiros que o levaria ao banquete das hienas carniceiras que estavam de olho no moribundo.

O bando invasor, na liderança de "Olho de Prata" - esse é o codinome da líder, por ter perdido um olho na luta - seguia na perseguição a "Majhtawn", talvez, não com o instinto assassino, mas o  de o bando se livrar de "Majhtawn".

Após horas de perseguição, "Majhtawn" se depara às margens do Rio de Águas Escuras, exausta, descansa um pouco e aproveita para fazer um carinho nos filhos; olha para trás e vê ao longe que o bando de "Olho de Prata" continuava no seu encalço. Não teve dúvida de que seus algozes não iriam desistir da perseguição. Sabia que sua única chance de sobrevivência seria do outro lado do Rio de Águas Escuras, mas aí surge o primeiro desafio, como enfrentar um rio povoado de crocodilos, além de não ter intimidade com águas profundas? O risco de serem devorados pelos crocodilos era potencialmente grande.

Quando o desafio é grande, a vontade de vencer deve ser maior que o medo de enfrentar.  Diante da iminência de outro ataque de "Olho de Prata", cujas chances de sobreviver seriam praticamente impossíveis, e arriscar a sobrevivência do outro lado do Rio de Águas Escuras, "Majhtawn" não teve dúvidas, lançou-se à sorte demonstrando para os filhos que aquela seria a única opção. Seguindo os passos da mãe, o Leãozinho mais forte se jogou na água, em seguida foi a vez de sua irmã, a Leoazinha, ficando para trás o Leãozinho mais frágil, este ficou com medo de entrar no rio, mas com aproximação de "Olho de Prata", foi empurrado instintivamente para a água, só que em situação desfavorável, pois sua mãe e os seus irmãos já se encontravam na outra margem.

Logo que o Leãozinho entrou na água os crocodilos perceberam que havia uma preza desprotegida e não titubearam em atacá-lo. Da outra margem do rio "Majhtawn" assistia ao fim trágico do seu filho sendo devorado pelos crocodilos, aquela cena registrava a perda de parte de sua vida, enquanto, ao mesmo tempo, observava "Olho de Prata" na outra margem do rio sentindo-se vigorosa pela conquista do território. 

Apesar da perda de um filho, "Majhtawn" pode, enfim, sentir-se aliviada e segura para dar proteção aos outros dois filhos sobreviventes.  A nova área tornar-se-ia um lugar seguro, haja vista não haver sinais de dominadores que pudessem atrapalhar seus planos. Era uma área relativamente pequena para domínio de leões, mas promissora, pois, a partir daquele momento passaria a ter o domínio do seu próprio território.

Após as devidas observações e reconhecimento da área, "Majhtawn" buscou o merecido descanso, procurando recompor suas energias para recomeçar as buscas por alimento da família. Mas como fazer isso, se no primeiro momento não parecia haver nada de interessante para caçar? Porém "Majhtawn" com seu faro aguçado e visão afinada, percebe logo que ao longe havia algo interessante: uma manada de búfalos pastava nas pradarias próximas às margens do Rio de Águas Escuras. Nesse instante "Majhtawn" sentiu que a refeição da família estava garantida, porém antes teria de proteger os filhos da fúria dos búfalos. Búfalos detestam leões, o que é lógico, todo búfalo sabe que qualquer vacilo em território de leões pode virar bife desses caçadores vorazes.

As energias armazenadas já estavam no fim e "Majhtawn" sentia que precisava caçar o mais urgente possível para manter a família viva. Mas os filhos, que estavam muito novos, passavam o tempo brincando e, muitas vezes, se expondo demasiadamente ao perigo, o que deixava "Majhtawn" insegura. Abater um búfalo pequeno ou um mais vulnerável seria a melhor estratégia, "Majhtawn" tinha consciência de suas limitações, não havia quem lhe auxiliasse numa empreitada mais ousada. Ademais, búfalos são prezas de grande porte, defendem em grupo, e podem levar o predador a morte.

"Majhtawn" começou a seguir o rebanho observando seu comportamento, fim estabelecer estratégias para dar o bote certo, na preza certa, no momento certo. "Majhtawn" sabia que estava sozinha nessa luta, portanto tornava muito mais difícil abater um búfalo. Na primeira tentativa, avançou sobre um filhote chegando ao ponto de derrubá-lo ao chão, mas sua mãe percebeu o ataque de imediato e voltou com toda fúria contra "Majhtawn". Todas as tentativas nesse dia foram infrutíferas. "Majhtawn", então, desiste da empreitada, adiando a necessidade de se alimentar.

Os búfalos pressentem quando o inimigo os persegue diuturnamente. "Majhtawn" seguia o rebanho na confiança de que em algum momento sua empreitada seria bem-sucedida. Mas, como a ambição não tem limites, os búfalos que compartilhavam a mesma área de domínio de "Majhtawn", despertaram a atenção do bando de "Olho de Prata" na outra margem do Rio de Águas Escuras. "Olho de Prata", então, movida pelo desejo ambicioso, juntou seu bando e atravessou o Rio de Águas Escuras povoado de crocodilos para caçar na outra margem, cujo domínio é de "Majhtawn", provocando uma nova invasão de território.

"Majhtawn" percebe o perigo, principalmente para seus filhos, e sente-se sua própria sobrevivência ameaçada. Diante da iminência do perigo, "Majhtawn" parte para cima do bando de "Olho de Prata" e luta ferozmente na defesa de seu território. "Olho de Prata", uma líder experiente, conhecia o potencial da adversária, pois, havia sido vítima dela ao perder um olho na luta sangrenta, quando da invasão que expulsou "Majhtawn" do seu território. Enquanto "Majhtawn" lutava incansavelmente, seus filhos observavam de longe, de onde se encontravam em um esconderijo para não serem assassinados pelo bando de "Olho de Prata". Depois de um embate duro "Olho de Prata" deu-se por vencida, reconhecendo o poder de liderança de "Majhtawn", retirou-se em fuga com suas comparsas.

De repente os búfalos se aglomeram no meio do pantanal, "Majhtawn"percebe que a melhor estratégia para abater um búfalo é na água, mas para tanto era preciso criar um pânico no rebanho, com isso os mais fracos ficariam vulneráveis a um ataque fulminante. A essa altura "Majhtawn"já se sentia confiante em caçar dentro d'água, a vida tinha lhe ensinado a se desvencilhar das armadilhas que os rios escondem; já tinha aprendido, inclusive, as manhas para se livrar de crocodilos assassinos.

Experiências são conhecimentos consolidados ao longo do tempo e servem como escudo para enfrentar situações adversas. No primeiro ataque na água, por pouco um búfalo de grande porte não foi abatido, salvou-se devido ajuda do grupo. "Majhtawn" não desiste e faz uma incursão proposital  para criar um pânico, o que deixou todo o rebanho desorientado, quando um búfalo de pequeno porte ficou vulnerável ao ataque, então, "Majhtawn" deu o bote mortal cravando seus dentes afiados na traqueia do pequeno desprotegido.

No entorno das áreas dominada por leões sempre ficam os carniceiros oportunistas aguardando o momento para roubarem o objeto da caça. As hienas são carnívoras que vivem, geralmente, de  roubar a caça de outros caçadores. Só houve tempo de "Majhtawn" dar as primeiras dentadas na carne ainda quente para que as hienas aparecessem e lhe tomassem a preza que havia abatido depois de tantos sacrifícios. Não teve luta certa, as carniceiras escorraçaram "Majhtawn" que se retirou desolada por não poder alimentar os filhos, mas aliviada por ter comido alguma coisa o que garantia o leite dos leõezinhos.

Porém os problemas de "Majhtawn" não acabaram aí,  pelo contrário, acabava de nascer um enorme problema, o risco de as hienas atacarem seus filhos. Leão não é presa de hienas, mas num cenário de comida escassa termina sendo. As hienas sabiam que "Majhtawn" teria de sair para caçar e iria deixar seus filhos à própria sorte. Numa saída para tentar nova investida contra os búfalos,"Majhtawn"deixou os filhos num esconderijo para livra dos ataques das hienas;  a necessidade de alimentar era tão imperiosa que não sair para caçar seria decretar a morte da família em pouco tempo. Ocorre que os búfalos pressentiram a presença dos leõezinhos entocados num arbusto e começaram atacá-los, porém o pior ficou por conta do ataque das hienas que por pouco não devoraram os filhos de "Majhtawn", devido seu instinto materno dar o sinal de alerta, o que fez ela desistir da caçada para salvar os filhos das garras das hienas. Porém não evitou que a leoazinha tivesse a coluna fraturada pela mordida de uma hiena, o que lhe causou uma sequela irreversível, impossibilitando-a de seguir adiante com sua mãe na luta pela sobrevivência na selva.

No meio do turbilhão de ataques ferozes, "Majhtawn" conseguiu livrar-se das hienas, mas não encontrou o filho, provavelmente tinha sido morto no ataque dos búfalos, pois, pressentiu o sangue que havia no chifre de um deles. "Majhtawn" sentiu o mundo desabar; sentou às margens do Rio de Águas Escuras, emitiu um olhar triste, fechou os olhos como se estivesse se redimindo do próprio destino, em seguida, olhou para a sua filha que pedia socorro rastejando com a coluna quebrada, o que lhe impedia de continuar na sua companhia; seu outro filho teria sido morto por um búfalo raivoso, então, sentiu que estava sozinha e precisava recomeçar tudo de novo, entrou no rio de coração partido para continuar a caminhada, deixando para trás a filha entre a vida e a morte. A vida selvagem tem sua seleção natural, sobrevivem os mais fortes, enquanto os mais fracos se transformam para dar continuidade a cadeia alimentar.

Os búfalos se encontravam pastando na outra margem do rio. "Majhtawn" chegando aí, ainda abalada pelas perdas e traumas que a vida lhe impôs, não deixou se abater e partiu para mais um ataque a manada, buscava o alimento que lhe manteria viva. Suas energias estavam chegando no limite. Muito embora o ataque tenha sido frustrado, não fez com que "Majhtawn" desistisse, precisava sobreviver para dar  continuidade a sua linhagem genética. De repente "Majhtawn" estava junto do bando de "Olho de Prata" lutando pelos mesmos propósitos. "Olho de Prata" sabedora da experiência e liderança de "Majhtawn" uniu-se a ela para ter sucesso na caçada.

"Majhtawn" fez uma investida a um búfalo desgarrado do rebanho com a cooperação do bando de "Olho de Prata". Esta sabia que "Majhtawn" era uma exímia caçadora e possuía um poder de liderança incontestável. O bando de "Olho de Prata" associou-se à "Majhtawn" e começaram a fazer as investidas para abater búfalos em parceria; em uma investida bem-sucedida, em que foi abatido um búfalo de grande porte, no momento em que o bando se preparava para banquetear, "Majhtawn" foi acometida de um sentimento maternal, quando seu instinto detectou um chamado familiar. Ao olhar em direção viu um leãozinho que miava gritando por socorro. "Majhtawn" correu ao encontro e a alegria foi imensa ao perceber que era o seu filho que havia desaparecido e já o tinha dado como morto. A felicidade era visível nos olhos de "Majhtawn". Nesse momento "Majhtawn" instintivamente voltou para "Olho de Prata" pedindo para que seu filho fosse aceite no grupo, "Olho de Prata", num gesto receptivo, lambeu o rosto de "Majhtawn" e esta retribuiu com o mesmo gesto.     
A partir de então "Majhtawn" foi integrada ao grupo com seu filho, tornando-se mais forte e mais preparados para enfrentar os desafios da selva.

A paz sempre vence a guerra. Quando a paz se estabelece o inimigo desaparece, os oponentes se unem, tornando-se mais fortes, ampliando os domínios para criar oportunidades, onde cada um usufruirá do resultado do esforço desencadeado em conjunto na busca da sobrevivência de todos.


JMiguel 

Texto adaptado de ftos reais do filme Leões de Okavango (filme da National Geographic). Disponível em:https://www.google.com/search?q=Le%C3%B5es+de+Okavango&oq=Le%C3%B5es+de+Okavango&aqs=chrome..69i57j46j0l5j69i60.7833j0j9&sourceid=chrome&ie=UTF-8. Acessado em 28/04/2020.
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Transformar para evoluir


Há mais de dois mil anos, Jesus entrou em Jerusalém triunfalmente, carregado por um jumentinho, para simbolizar que o Reino que se delineava não tinha nada a ver com as “megas” estruturas que dominavam o mundo e impunham fardo pesado à sociedade hebraica. Dessa maneira, Aquele que fora enviado, representando a Divindade encarnada na humildade, para romper as estruturas do mundo materialista, eivado de egoísmo e desumanidade, acabara de penetrar no centro do poder do Império Romano, estabelecido na Judeia sob as ordens de Pôncio Pilatos, delegadas a este pelo imperador Tibério.


A entrada de Jesus em Jerusalém balançou as estruturas econômicas, sociais e políticas que, até então, se imaginavam inabaláveis. A VERDADE, que Ele defendia, e estava em sua própria figura, começou a desmontar a MENTIRA, entranhada numa sociedade que se achava autossuficiente, vivendo nos devaneios dos instintos egoístas e na hipocrisia. Seus seguidores, talvez, não teriam entendidos qual Reino seria instalado, pois, eram escravos de um sistema que os levavam à alienação intelectual, para, a partir de aí impor o domínio que lhes tirava a possibilidade de ter um futuro diferente.


O alvoroço político e social, desencadeados durante a estada de Jesus em Jerusalém, foram suficientes para a divisão da história da humanidade em duas: Antes e Depois Dele.


A sua crucificação tornou-se para o mundo cristão o símbolo da Nova Aliança entre Criatura e Criador.

 

Toda ruptura é traumática e pode deixar marcas profundas que servirão de referências para o novo caminhar. Mudanças ocorrem a todo instante. Elas acontecem num silêncio ensurdecedor ou num barulho silencioso, mas estão sempre acontecendo. Velhos paradigmas se rompem para ensejar a (re) construção de novos tempos. Assim caminha humanidade, numa evolução perene, voltada para o topo da pirâmide, onde está a UNICIDADE da sabedoria, da consciência, do equilíbrio e da espiritualidade.


É nessa direção em que todos caminhamos, ou não (?)



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CORONAVÍRUS, O INVISÍVEL DE CONSEQUÊNCIAS IMPREVISÍVEIS

O mundo vive uma pandemia sem precedentes na história dos últimos tempos; parece que as pessoas estão sem entende a mensagem. O que se vê são discussões políticas movidas por paixões cegas e irracionais. A irracionalidade é tal que o "mercado" ou o "emprego" passou a se um bem maior que a própria vida.
De que vale o mercado gerando emprego se em razão disto gerar morte e disseminar a doença? O maior bem a ser preservado, agora, é a vida, os outros ficam para depois. Evidentemente, o emprego é imprescindível para o sustento da vida, porém só tem sentido se a vida tiver segurança e for saudável para que se produza bens e serviços de forma equilibrada e sustentável.

O sistema chegou a exaustão. Não consegue mais ser autossustentável, está desmoronando gradualmente. Os agentes econômicos e financeiros utilizaram-se do sistema para impor seus próprios interesses, levando-o a desestruturação que começou a gerar perversidades inconcebíveis. Na babilônia econômica salva-se quem puder; a roleta russa insana é arrasadora, cuja bala mortífera atinge a todos indiscriminadamente.

Na roda gigante do neoliberalismo não existe ética nem pudor, o que vale é o lucro, seja como for. O sistema tornou-se monstro e começa a engolir seus cúmplices e operadores. Nessa teia, valores dignificantes da vida humana foram usurpados pela ambição materialista e o egocentrismo, tornando os protagonistas escravos de seus próprios caprichos.

Na roda gigante do neoliberalismo não existe ética nem pudor, o que vale é o lucro, seja como for. O sistema tornou-se monstro e começa a engolir seus cúmplices e operadores. Nessa teia, valores dignificantes da vida humana foram usurpados pela ambição materialista e o egocentrismo, tornando os protagonistas escravos de seus próprios caprichos.

O sistema está contaminado por incursão do interesse público mancomunado com o privado, cria-se, em uma ponta, pacto promíscuo de interesses recíprocos de difícil separação; enquanto em outra, falsos libertadores da opressão utilizam-se da boa-fé e da fragilidade dos escravizados do sistema, para manter estruturas operantes da luta ideológica para aniquilar adversário e impor a ordem que atenda as conveniências de grupos, corporações, etc., os quais compartilham dos mesmos interesses.

O CORONAVÍRUS chegou de maneira assombrosa e apocalíptica trazendo medo e pânico para colocar um freio geral; cidades paradas, ruas desertas, comércio e bancos fechados, transporte público quase parando, tudo assustador. Impondo isolamento compulsório, quase uma prisão domiciliar. Chamam isso de isolamento social. Mas isolamento social é coisa trivial na sociedade. Afinal, a sociedade é constituída de isolamento social, ou, não é?

Agora, estão todos no mesmo barco torcendo para a tempestade passar e poder, enfim, sentir o chão. Quando isso irá acontecer???


JMiguel

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A CRATURA AFASTOU-SE DO CRIADOR



A Criatura afastou-se do CRIADOR de maneira escandalosa


As ações humanas ao longo dos séculos foram desastrosas para o equilíbrio da vida no planeta terra, desde a devastação do meio ambiente ao despejo de toneladas de gás tóxico na atmosfera violando as leis do universo, a brutal concentração de renda que retira direitos das pessoas mais vulneráveis de sonhar e ter esperanças de uma vida digna, a sucumbência de milhões de pessoas à miséria absoluta e, no último degrau, levando-as à morte.

 

Os domínios imperialistas que marcaram a antiga idade, como o império de Alexandre, “O Grande”; o império Assírio; a Babilônia de Nabucodonosor; o império romano, que se estendia desde o continente europeu até oriente Médio, por muitos anos, dentre outros, já revelava a prepotência da humanidade.

 

Jesus viveu e ensinou os princípios Divinos no meio de uma sociedade bárbara e egoísta. Mesmo aperfeiçoando e reafirmando os ensinamentos da Lei de Moisés e os Profetas, não conseguiu aproximar o homem de DEUS para viver de acordo os ensinamentos que lhe propunha. Talvez, este seja o propósito do Criador: testar a capacidade de evolução da própria Criatura.

 

A idade média é considerada pelos estudiosos como a idade das trevas. Durante um período de mais de mil anos, o homem viveu em total obscurantismo. Uma das maiores catástrofes que levou milhões à morte no velho mundo, no século XIV, a peste bubônica, ocorreu nesse cenário.

 

Somente a partir do século XVIII, quando surgiu na Europa o movimento intelectual conhecido como iluminismo, que levou o homem a agir de acordo a luz da razão, a humanidade começou a enxergar as trevas que lhe encobria. Mas o uso da razão, sem considerar as forças transcendentais, coloca a humanidade submissa a seus próprios caprichos.

 

Com a revolução industrial entre os séculos XVIII e XIX na Europa surge o capitalismo liberal que, ao longo do tempo, se tornou cada vez mais excludente, em face dos instintos egoístas do homem. Essa loucura ambiciosa levou o mundo a viver os anos mais tristes da idade contemporânea: duas guerras sangrentas em que milhões de pessoas foram mortas em campos de batalhas, em campos de concentração, de fome, de tristeza ou doenças epidêmicas.

A metade do século XX foi uma demonstração de que a humanidade ainda tem muito a evoluir, o homem beirou a barbárie. Os 50 anos seguintes trouxeram um desenvolvimento até então nunca visto, chegando ao ponto de o homem pousar na lua. Na ciência houve avanço astronômico com a descoberta de novas drogas para cura ou controle de doenças até então desconhecidas; houve avanços impressionantes na engenharia genética; na medicina nuclear; na biotecnologia; a comunicação eliminou as distâncias entre os humanos na esfera planetária.

 

Entretanto, toda essa evolução no mundo material não aproximou a Criatura do Criador, pelo contrário, penso que, com o afloramento dos instintos egoístas, afastou-o, tornando escravo de si próprio.

 

No início dos anos 80 o sistema capitalista sofreu reciclagem que o levou a se tornar mais selvagem com Ronald Reagan nos Estados Unidos, Margaret Thatcher na Inglaterra e Augusto Pinochet no Chile, nascendo aí o chamado neoliberalismo.

 

Esse sistema vem desestruturando as relações interpessoais e levando a sua autodestruição. É inconcebível que um sistema tão selvagem como este possa ser sustentável. Não acredito.

 

Essa pandemia veio para colocar freios na humanidade. Não há dúvidas de que seja uma praga apocalíptica, depois dela o mundo será diferente.

 

Um vírus que se tornou um inimigo invisível para todo o mundo e desafia a inteligência humana não pode desaparecer sem deixar uma reflexão mais profunda. Imagino que seja mais uma provação para a humanidade encontrar o caminho do equilíbrio na trilha da evolução do intelecto e da espiritualidade.

 

Obviamente, tem gente que prefere não acreditar, continuará vendo o mundo como sempre enxergou, o que é natural, pois em outros momentos da história foi assim.

 

Prefiro enxergar como um ponto de reflexão para atingir estágios mais evolutivos. Não se sabe quando e nem como terminará. Mas dá para ter uma ideia de que, após essa travessia, o que nos espera não será um mar de rosas, teremos imensos problemas para serem resolvidos na área do emprego, da economia, da segurança pública, da saúde pública, etc.


Provavelmente, teremos um mundo com o sistema capitalista desconfigurado, o que levará algum tempo para reconfigurar, porém, passado esses traumas, a humanidade ressurgirá melhor, mais solidária e menos egoísta. Imagino.


JMiguel

 

 



 

 



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Revoltas sociais dão sinais de alerta

OPINIÃO

O sucesso da economia chilena deve ser analisado numa perspectiva relativizada. A classe média de hoje começa a desintegrar em consequência da política neoliberal da ditadura Pinochet, que governou o Chile por quase duas décadas.

 

Ao final da era Pinochet foi implantado um modelo de “sistema de capitalização” para aposentadoria idealizada pelos colegas de Paulo Guedes, os “Chicago Boys”. O mesmo sistema que o Paulo Guedes deseja implantar no Brasil.

 

Esse sistema de capitalização começou a produzir os frutos da maldade ao levar os aposentados a um estado de mendicância. Contudo, esse não é o único fator que está levando o Chile à convulsão social. Existem outros, inclusive de natureza histórica. Todavia, há de se ressaltar de que a concentração de renda é um fator relevante na desintegração social, pois fragmenta os estratos sociais em que grupos privilegiados enriquecem em detrimentos de outros menos favorecidos, gerando então o ingrediente para as revoltas de desestruturação do tecido social.

 

O capitalismo é o sistema econômico que enseja condições às pessoas para desenvolverem aptidões conforme suas potencialidades. A partir da concepção da propriedade privada e através dos meios produtivos, busca-se o acúmulo de lucro. Provavelmente este não seja o sistema ideal, mas é o que foi possível atender relativamente aos anseios da sociedade moderna. Entretanto, faz-se necessária a mão invisível do Estado para compensar o desequilíbrio ocasionado pelas forças antagônicas do próprio sistema, proporcionando justa distribuição de renda e oportunidade para todos, essenciais para manter o equilíbrio e a paz social.

 

O mundo vive inquietações que exigem muita reflexão para ser compreendidas, se é que isso é possível. As pessoas estão sentindo o limite da tolerância em razão de pouca ou quase nenhuma perspectiva de uma vida melhor, onde se possa vislumbrar um futuro mais promissor. América latina tem problemas históricos cujas raízes estão na colonização da região, onde cada país tem suas especificidades. Os diversos processos políticos vividos particularmente em cada um deles, ao longo do processo histórico, não tiveram soluções capazes de deixar um legado de bem-estar duradouro às suas respectivas populações.

Isso é preocupante, pois a deterioração da economia de países como Brasil, Argentina e Chile, entre outros, pode tornar a região um barril de pólvora pronto para explodir.

 

A democracia na América Latina ainda carece de ter seus fundamentos consolidados a ponto de evitar o retorno das ditaduras, pois estas ainda permanecem entranhadas nos quartéis e povoam as mentes de parte da direita conservadora.

 

O recrudescimento dos movimentos de ruas no Equador e no Chile demonstra a “priori” que o neoliberalismo não trouxe perspectivas de melhoria da qualidade de vida da população. Por conseguinte, a reeleição de Evo Morales, embora questionável pelo longo período no poder, e a provável eleição de Alberto Fernandez e Daniel Martinez, na Argentina e no Uruguai, respectivamente (todos os candidatos de esquerda), podem indicar que a direita caminha para o fracasso político no cone sul.

 

Os próximos acontecimentos indicarão o que se poderá vislumbrar sobre o futuro.



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