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Trabalho no SUS, contrapartida da universidade pública

O ingresso na universidade pública sempre foi o sonho de qualquer estudante que deseja fazer um curso superior, não apenas por ser esta gratuita, mas, sobretudo por oferecer um melhor nível de ensino. Haja vista que ali estão os melhores e mais preparados profissionais do ensino, bem como uma boa infraestrutura acadêmica. Porém, apesar das cotas sociais, o acesso ao ensino superior público ainda continua bastante restrito à classe mais elitizada da sociedade; principalmente no que diz respeito a cursos tais como medicina, engenharia, direito e odontologia.

Portanto, a decisão do governo de agregar dois anos ao curso de medicina com prestação de serviço ao SUS é bastante acertada, pois, além de preparar o futuro médico dentro de uma perspectiva profissional mais humanística, oportuniza o mesmo a dar sua parcela de retribuição à sociedade pela sua formação dentro de uma estrutura universitária custeada pela própria sociedade. 

Leia aqui Texto de Emir Sader em que aborda sobre assunto.
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"Situação limite pode estagnar democracia"

Governador do Rio Grande do Sul diz que "ou nós mudamos e amoldamos as instituições da República para maior participação direta da sociedade, ou a nossa democracia nos próximos anos pode estagnar"; segundo Tarso Genro, "maioria conservadora do Congresso não quer fazer a reforma política, porque quer apenas usar o sistema político para a reprodução dos seus mandatos"

RS247 - Governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro (PT) disse nesta quinta-feira que o Brasil se encontra em uma "situação limite" após protestos que tomaram as ruas no mês passado e que resultaram no Dia de Lutas esta quinta, que deixou a capital Porto Alegre sem ônibus e espalohou bloqueio de estradas pelo País. Para o petista, a maioria conservadora do Congresso Nacional impede a votação da reforma política, o que pode gerar eventual estagnação da democracia.
Segundo Tarso, não é que "vá haver golpe militar ou desestruturação de poder de Estado". "É uma situação limite que significa o seguinte: ou nós mudamos e amoldamos as instituições da República para maior participação direta da sociedade e fazemos o atual modelo econômico, que alcançou méritos extraordinários, avançar, ou a nossa democracia nos próximos anos pode estagnar. Como não há paralisia na estagnação, pode haver retrocesso", disse o governador em entrevista coletiva concedida no Palácio Piratini.
Ao comentar o plebiscito sugerido pela presidente Dilma Rousseff, que foi 'enterrado' no Congresso Nacional, Tarso disse ter acertado ao prever que os congressistas iriam "amorcegar" a proposta. "Eu disse que o Congresso ia amorcegar a reforma política. E é o que está fazendo. E isso não depõe nem contra as instituições, nem contra os parlamentares", analisou, ponderando: "Mas é visível que tem uma maioria conservadora do Congresso que não quer fazer a reforma política porque quer apenas usar o sistema político para a reprodução dos seus mandatos".
Plebiscito
Tarso sugeriu que o PT crie um bloco para defender a realização do plebiscito, que, segundo ele, é vital para amenizar um mal-estar da sociedade. "Acho que o PT deve lutar na Câmara para lutar por um bloco político pelo plebiscito, porque dentro do plebiscito pode se lutar por uma reforma política mais urgente", disse. "Há uma sinalização de mal-estar quando milhões de pessoas foram às ruas. Esse mal-estar está fragmentado, mas pode se concentrar em movimentações sociais exclusivas que prejudique o andamento da democracia do Brasil e o respeito às instituições que conquistamos na Constituição de 88", analisou.
O problema na chamada do governador do Rio Grande do Sul é que a proposta de plebiscito já foi descartada pela maioria da Câmara, por causa do tempo que levaria, e apenas a bancada do PT segue em sua defesa.
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“Brasil precisa de médico especialista em gente”

“Cardiologista e ex-ministro da Saúde defende proposta apresentada por Dilma e diz que médico precisa se transformar num especialista em gente
O cardiologista e ex-ministro da Saúde Adib Jatene, que preside uma comissão que auxiliou o governo na formulação do projeto para a mudança do ensino médico, defende a proposta apresentada ontem pela presidente Dilma mas afirma que não conhece a versão final. Para Jatene, o ensino médico está formando candidatos à residência médica, com muito ênfase às especializações e alta tecnologia. “O médico precisa se transformar num especialista de gente.” O que o sr. achou das mudanças propostas para a mudança do ensino médico? O ensino médico está formando candidatos à residência médica. Isso estimula a especialização precoce. Precisamos formar um médico capaz de atender a população sem usar a alta tecnologia. O médico precisa se transformar num especialista de gente. E como ficará a supervisão? É a própria faculdade de medicina que cuidará disso. A proposta [original] é que ele fique dois anos no Estado que se formou, supervisionado pela faculdade. A escola vai fazer parte do sistema de saúde, não simplesmente dar o diploma. Com telemedicina e teleconferência fica fácil. O sr. foi consultado sobre isso? Vínhamos trabalhando nessa proposta, mas não sabíamos que já seria anunciada. O ministro Mercadante me telefonou dizendo que a presidenta Dilma iria anunciar, mas não deu maiores detalhes. Mas parece que está está dentro dos princípios. A proposta era mesmo de aumentar para oito anos? Sim. Quando me formei em medicina, em 1953, o curso já era de seis anos, e o conhecimento era muito pequeno. Hoje é colossal e o curso continua de seis anos. E em relação à política para fixar médicos no interior? Municípios pequenos deveriam integrar um consórcio para uso de alta tecnologia. Precisam, porém de um médico polivalente, que atenda de parto a uma emergência.”

Por Jussara Seixas

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Saúde pública não é só médico

A importância desses profissionais é enorme. Porém o ideal é nem precisar recorrer a eles. O médico é a ponta da cadeia chamada Saúde Pública

MARCOS LUCENA
A importância desses profissionais é enorme. Porém o ideal é nem precisar recorrer a eles. O médico é a ponta da cadeia chamada Saúde Pública. Quem pensar que enchendo o país de médicos se atingirá a "cura" da Saúde Pública está enganado.
Já que o assunto é cura, quem não conhece o famoso dito popular que sabiamente apregoa "prevenir é melhor do que remediar"? Então por que não investir na medicina preventiva ao invés de precisar curar doentes? Uma pessoa bem alimentada, com todas as vitaminas necessárias em níveis adequados, com vacinação em dia, dificilmente ficará doente e precisará recorrer a atendimentos emergenciais.
Para quem acredita que a solução para a Saúde Pública seja encher o país de médicos, deve lembrar que esse abrangente ramo engloba o estudo de história, geografia, estatística, biologia, matemática, economia, entre outras áreas.
Saúde pública é melhorar o poder de compra da população, para que todos tenham alimentação adequada.
Saúde pública é investir em pesquisa para melhoria ou descoberta de novas vacinas.
Saúde pública é investir em saneamento básico para que não se tenha pessoas em contato com esgoto a céu aberto, o que facilita a proliferação de doenças.
Saúde pública é investir em condições de moradia adequadas, com ambientes arejados e ensolarados, ao invés de maquear comunidades carentes, afinal, "em casa que entra sol não entra médico".
Saúde Pública é melhorar a mobilidade urbana, para que a população tenha equilíbrio entre trabalho e lazer.
Saúde pública é conscientizar sobre a quantidade de filhos a serem gerados.
Definitivamente, Saúde Pública não é só médico.
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Tramoia de "300 picaretas" ameaça o plebiscito



"Se a presidente, o PT e a esquerda não forem capazes de romper o cerco, repactuando com os movimentos sociais e pressionando o parlamento de fora para dentro, será real e imediato o perigo de definhamento do projeto político guindado ao Planalto no alvorecer do século", alerta o jornalista Breno Altman, em artigo exclusivo para o 247; segundo ele, a reação ao plebiscito capitaneada pelos deputados Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) e Eduardo Cunha (PMDB-RJ) torna mais atual do que nunca a frase do ex-presidente Lula sobre os "300 picaretas" do Congresso Nacional; "as forças progressistas dependem de uma escalada das ruas para disputar hegemonia e abrir processo constituinte que aprofunde a democracia, varrendo a resistência dos trezentos picaretas sobre os quais Luiz Inácio avisou", completa

Por Breno Altman, especial para o 247
A decisão do colégio de líderes da Câmara dos Deputados, anulando a possibilidade de convocação de consulta popular imediata sobre reforma política, faz de célebre música dos Paralamas o hino do momento. “Luiz Inácio falou, Luiz Inácio avisou, são trezentos picaretas com anel de doutor”, diz a letra famosa. Formou-se, afinal, maioria conservadora entre os parlamentares para impedir que o povo enterre um sistema político apodrecido e antidemocrático.
O fato é relevante para entender o que se passa com o país. Eleita através de mecanismos que se apoiam no poder econômico e nas relações clientelistas, a maioria dos deputados não representa partidos ou programas. Compõe-se de porta-vozes de grupos que financiam suas campanhas, além de dedicarem o principal de suas energias para garantir a renovação de mandatos. De quebra, uns e outros não perdem a oportunidade para colocar algum no bolso.
Afirma-se, em tese corretamente, que o parlamento expressa a vontade média e heterogênea da cidadania. Essa assertiva, porém, tem pouca validade quando os filtros estruturais do sistema estão construídos para diluir o enfrentamento político-ideológico, transformar os partidos em colchas de retalho, estabelecer o mandato como instrumento de lobby e amarrar os eleitores com as cordas dos benefícios paroquiais.
Não é à toa que, apesar do eleitorado ter conduzido um partido de esquerda ao governo federal por três vezes consecutivas, os ventos de mudança não afetaram seriamente a correlação de forças nas duas casas do Congresso. Ainda sobrevive, nessa instituição, um bloco político majoritário que funciona como esteio parlamentar da plutocracia.
A administração petista, com erros e acertos, há dez anos trata de negociar, no interior da ordem estabelecida, a formação de alianças que permitam a implantação de seu programa reformador. Muito se avançou, aos trancos e barrancos, mas quaisquer mudanças estruturais são barradas pelas fileiras predominantes do conservadorismo e da fisiologia.
Os exemplos são muitos. O imposto sobre grandes fortunas, na última tentativa de implementá-lo, naufragou com menos de 150 votos a favor, em 2003. Não se aprova a emenda contra trabalho escravo. O marco regulatório da internet está parado há dois anos e corre-se o risco de ser aprovada a criminalização de conteúdos sem determinação judicial.
Pressionado pelas ruas, o Senado aprovou a demagogia de considerar corrupção um crime hediondo, mas derrubou projeto que diminuía o número de suplentes e impedia que parentes ocupassem a vaga do titular. Pura hipocrisia. Um símbolo de que, de todas as reformas de base necessárias, a que mais resistência encontra no parlamento é a política.
Agora foi a gota d’água. A resolução capitaneada por Henrique Eduardo Alves e Eduardo Cunha, caciques do PMDB, partido da base aliada, empareda o governo entre as ruas e o Congresso. A estratégia de construir governabilidade sem mudar as instituições está se exaurindo, e leva junto boa parte da popularidade acumulada nos anos anteriores.
Se a presidente, o PT e a esquerda não forem capazes de romper o cerco, repactuando com os movimentos sociais e pressionando o parlamento de fora para dentro, será real e imediato o perigo de definhamento do projeto político guindado ao Planalto no alvorecer do século.
Há uma ruptura entre a vontade popular e o sistema político, manifestada claramente nas jornadas de junho e nas pesquisas subsequentes. A aceitação sem luta do cambalacho contra o plebiscito, sem explicitar aos cidadãos qual é e onde está o ovo da serpente, eventualmente constituiria erro de proporções avassaladoras.
Amanhã, dia 11 de julho, as greves e mobilizações pela pauta dos trabalhadores e pelo plebiscito serão ensaio decisivo para o grave momento que se vive. Não deveria ser, no entanto, um instante fugaz. As forças progressistas dependem de uma escalada das ruas para disputar hegemonia e abrir processo constituinte que aprofunde a democracia, varrendo a resistência dos trezentos picaretas sobre os quais Luiz Inácio avisou.
Breno Altman é jornalista e diretor editorial do site Opera Mundi e da revista Samuel.
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